sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Cistos e Gravidez


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O útero é o órgão mais importante para a mulher. E para a pré-mãe é quase um órgão vital. Muitas vezes nos deparamos com informações em ultrassons que nos deixam muito ansiosas, principalmente com a possibilidade de prejudicar a tentativa de engravidar. É o que ocorre no caso do aparecimento de cistos. Nem sempre essa informação colocada na ultrassom é algo a se preocupar e, para saber mais a respeito, vou tentar explicar a respeito dos cistos e como isso afeta ou não a gravidez.

Tipos de cistos


Cisto é uma bolsa com um líquido dentro. Você sabe que todo mês nos temos cistos? Isso mesmo! São os chamados cistos funcionais. Ocorrem nos ovários e estão relacionados com o ciclo menstrual e costuma não representar nenhum perigo. Os cistos funcionais estão divididos em cisto folicular e cisto lúteo. Num ciclo normal, eles desaparecem ao final do período menstrual.

Os cistos também podem se apresentar no colo do útero ou no revestimento interno uterino (endométrio).

Cisto funcional


Durante o ciclo menstrual cresce no ovário um (ou mais) folículo(s). Dentro dele se desenvolve o óvulo. Quando tudo ocorre bem, o folículo libera o óvulo desenvolvido, é o que chamamos de ovulação. Contudo, em alguns casos o folículo não eclode (abre) para liberar o óvulo, fazendo com que o líquido permaneça dentro dele, dai então temos um cisto folicular.



O cisto de corpo lúteo ocorre após o óvulo ter sido liberado de um folículo. Esses geralmente contêm uma pequena quantidade de sangue.


Outros tipos


  • Cistadenomas: se desenvolvem a partir do tecido que reveste os ovários.

  • Cisto endometrioma: são resultado da endometriose, uma condição na qual o endométrio, o tecido que age como a mucosa que reveste a parede interna do útero, cresce em outras regiões do corpo.

Cistos de Naboth


Localizados no colo uterino os cistos de Naboth ou folículos de Naboth ocorrem devidos às secreções das glândulas de Naboth que estão no colo do útero. Essas secreções bloqueadas por um tecido que parece pele se acumulam na glândula formando um cisto arredondado. Não costumam apresentar sintomas, mas sua presença pode indicar que houve irritação do colo uterino ou uma infecção.

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Durante um exame pélvico os cistos de Naboth podem ser visíveis. O tratamento é através de colposcopia para retirada dos cistos, em alguns casos pode ser utilizada a biopsia para avaliar o cisto e dar um diagnóstico preciso, eliminando outros problemas, mas geralmente não é necessária.

Pólipos


Os pólipos são projeções do endométrio e dependendo da localização são chamadas de pólipo endometrial ou endocervical. Geralmente são benignos, ou seja, não apresentam riscos à saúde da pré-mãe, sendo raro - cerca de 0,5% a possibilidade que sejam neoplasias (câncer). Não devem ser confundidas com outras projeções de tecido (a ectocérvice) que parecem verrugas e estão relacionadas com infecção pelo vírus HPV. Essas podem se tornar câncer. As causas incluem estímulos hormonais sobretudo de estrogênio.

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Embora alguns casos não apresentem sintomas, pode-se desconfiar de sua presença pelo aumento do volume menstrual ou alterações da menstruação, sangramentos após esforço físico ou após relações sexuais, dor na relação sexual (dispareunia) ou infertilidade.

Para detectar a presença de pólipos é necessário fazer um exame de colposcopia ou histeroscopia, ou através de ultrassom endovaginal. A remoção dos pólipos cervicais via histeroscopia pode ser feita no consultório do ginecologista.

Mioma


Muitas mulheres confundem o mioma com cistos. O mioma (fibroma uterino) é um tumor sólido e benigno, isto é, não cancerígeno, que acomete as mulheres em idade fértil. Geralmente não apresenta sintomas, sendo assim descobertos apenas depois de uma consulta com o ginecologista. Pode ser um só tumor ou vários e podem estar localizados em vários pontos do útero ou mesmo fora dele. Seu tamanho varia de pequeno como cabeça de um alfinete, à grandes, podendo pesar até alguns quilos.

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Alguns sintomas como aumento do fluxo menstrual ou sangramento fora do período menstrual, dor pélvica, aumento do volume abdominal sem o aumento significativo de peso (claro, descartada gravidez), infecções urinárias frequentes, incontinência urinária, prisão de ventre ou infertilidade podem alertar para a presença de mioma.

O crescimento está associado aos hormônios estrogênio e progesterona, mas suas causas ainda são desconhecidas, contudo há fatores de risco de agravantes, sendo mais comuns em mulheres de raça negra. Para o diagnóstico são feitos exames pélvicos e uma ultrassonografia endovaginal. Em alguns casos a ressonância magnética. A biopsia pode ser indicada para descartar a possibilidade de ser câncer, se os sintomas forem parecidos.
O tratamento geralmente consiste no uso de hormônios, contraceptivos orais, tratamento da anemia, analgésicos e cirurgias. Em alguns casos, a retirada do útero (histerectomia) se faz necessária. A maioria dos miomas regride com a menopausa.

Fatores de riscos


Quando temos um histórico familiar de cistos nos ovários, há maior possibilidade de desenvolvermos esse problema recorrentemente. Bem como por causa do uso de indutores de ovulação.

Como sei que tenho cistos?


Como comentei anteriormente, grande parte das mulheres não apresenta sintomas, dessa forma, os cistos passam despercebidos. Em alguns casos, o que pode levar ao diagnóstico é a presença de dor ou ciclo irregular, inchaço no abdômen, dor ao evacuar, dor na pélvis (antes ou depois do início do ciclo menstrual), dor durante as relações sexuais, dor pélvica (leve ou constante) ou ao mover-se, dor pélvica súbita e forte, frequentemente acompanhada de náusea e vômito, podendo ser um sinal de torção do suprimento sanguíneo do ovário ou de ruptura de um cisto acompanhada de sangramento interno.

A presença de dor em decorrência do cisto no ovário se dará pelo aumento de tamanho do cisto, sangramento ou rompimento do mesmo, sofrer uma colisão durante a relação sexual, ou em caso de ser torcido ou provocar a torção das trompas.

Os cistos foliculares não costumam provocar alterações nos períodos menstruais, sendo mais frequentes com cistos de corpo lúteo. Alguns cistos podem provocar náuseas ou sangramentos.

Geralmente, um cisto no ovário pode ser identificado em um simples exame pélvico. Mas para determinar o tamanho e o tipo exato do cisto, o médico deverá recorrer a outros exames, como por exemplo:

  • Teste de gravidez: se der positivo, o especialista saberá que o tipo de cisto em questão é lúteo

  • Ultrassom pélvico: o exame de imagem possibilitará ao médico identificar o tamanho do cisto e também sua composição (se é sólido, fluido, misto, etc)

  • Laparoscopia: por meio de um laparoscópico, o médico poderá examinar mais atentamente a região dos ovários em busca de um cisto.

Qual o tratamento?


O tratamento depende das expectativas da paciente, quais sintomas apresenta, tamanho e tipo do cisto. Muitas vezes os cistos desaparecem sozinhos, sem a necessidade de medicamentos ou intervenções cirúrgicas. Caso o cisto não vá embora sozinho, existem outros meios para tratar a doença, como:

  • Anticoncepcionais costumam ser uma opção para evitar que novos cistos se desenvolvam nos ovários.

  • Cirurgia de retira de cistos também pode ser uma alternativa, mas geralmente o médico só recorre a esse tipo de intervenção quando não há outra opção. No entanto, pode ser também a única solução caso o cisto seja grande demais, não seja funcional ou esteja crescendo.

Caso o cisto seja cancerígeno, talvez seja necessário extrair ambos os ovários.

Existe modos de prevenir o aparecimento de cistos?


Apenas em caso em que a mulher não esteja tentando engravidar e apresente frequentemente os cistos é que se pode evitá-los através de hormônios como pílulas anticoncepcionais, que impedem o crescimento dos folículos.

No caso da pré-mamãe não há como prevenir mas sim tratar precocemente realizando exames de ultrassom para detectar o quanto antes a presença de cistos.

Como vimos, o conhecimento é a alma do negócio. Cuide-se e consulte sempre um médico para poder tratar o quanto antes. Espero que tenham gostado e até a próxima.


Leia também:

Cisto Folicular


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