segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Fator Rh e Gravidez


Dentre os diversos exames que a gestante deve fazer está o de Tipagem Sanguínea. Esse exame é importante para prevenir que o fator Rh do bebê, caso seja positivo, reaja o sistema imunológico da mãe, criando uma sensibilização que poderá levar a mãe a abortar caso engravide novamente. Entenda melhor como isso funciona. 

O que é o fator Rh?


O fator Rh é o que determina se o tipo de sangue é positivo ou negativo e influencia na compatibilidade sanguínea. Assim, pessoas com sangue positivo podem receber de pessoas com qualquer Rh, mas só podem doar para outras com sangue positivo. Enquanto se o sangue tiver Rh negativo pode doar para pessoas com sangue positivo ou negativo mas só podem receber negativo.

Como o fator Rh interfere na gravidez?



Quando a mãe tem o tipo sanguíneo negativo (-) e o pai tem o tipo positivo (+), o bebê tem 50% de chances de nascer com o tipo sanguíneo positivo. E qual o problema disso? Se o sangue do bebê entrar na corrente sanguínea da mãe, seu sistema imunológico pode reagir contra o antígeno D do sangue do bebê, como se ele fosse um "invasor", e produzir anticorpos contra ele. A Eritroblastose fetal ou doença hemolítica perinatal é causada pela incompatibilidade do sistema Rh do sangue materno e fetal.

Uma maneira fácil de entender é imaginar que as pessoas que tem fator Rh positivo tem algo presente (+) que as pessoas com Rh negativo não tem (-). O problema é que caso o sistema imunológico que desconhece esse "algo" entre em contato com o tipo sanguíneo que tem isso presente, como forma de defesa ele produz um anticorpo para quando entrar em contato novamente com esse "algo" tentar eliminar essa "ameaça". 

Como o sistema de defesa leva um tempo para desenvolver o mecanismo de eliminação do "corpo estranho", em uma primeira gravidez, nada acontecerá nem com o bebê e nem com a mãe, porém o sistema imunológico tem memória e poderá eventualmente agir em uma segunda gravidez contra o Rh de um novo bebê que também tenha o fator Rh positivo. Se o novo bebê for Rh negativo, o sistema imunológico não será ativado.

Quais os sintomas?


A doença hemolítica por incompatibilidade de Rh varia de leve à grave. Esse fenômeno é conhecido como "sensibilização" e, em uma nova gravidez e o bebê também for Rh positivo, os anticorpos do seu sistema imunológico. Os sintomas vão desde anemia e icterícia leves à deficiência mental, surdez, paralisia cerebral, edema generalizado, fígado e baço aumentados, icterícia, anemia graves e morte durante a gestação ou após o parto.

Recém-nascido portador da enfermidade tem uma cor amarelada, porque a hemoglobina das hemácias destruídas é convertida em bilirrubina pelo fígado e seu acúmulo provoca um quadro de icterícia na criança.

Portanto, o fator Rh negativo pode complicar uma gravidez sim, mas quase nunca uma primeira gravidez.

Como o sangue do bebê entra em contato com o da mãe?


Em determinadas circunstâncias, o sangue do bebê pode se misturar com o da mãe, provocando a sensibilização:

  • Em caso de uma gravidez ectópica, ou tubária, ou seja, fora do útero (nas trompas, colo do útero, abdome)
  • Em caso de sangramento vaginal ou aborto espontâneo após 12 semanas de gravidez
  • Na realização de exames invasivos como a biópsia do vilo corial ou a amniocentese (exames para coleta de células fetais)
  • Se a mãe sofrer um forte impacto na barriga durante a gravidez e houver sangramento
  • Durante o parto, é muito provável também que o sangue da mãe e o do bebê entrem em contato, especialmente em caso de cesariana, de um parto normal difícil ou de remoção manual da placenta.


Como evitar a sensibilização?


Uma vez que a mãe tenha produzido os anticorpos, eles permanecerão para sempre em sua corrente sanguínea. Contudo, caso a mãe ainda não tenha os tenha produzido, ela pode usar uma substância chamada imunoglobulina anti-D, uma espécie de vacina, dada em forma de injeção muscular, normalmente na coxa. Essa substância age destruindo qualquer célula do bebê que ainda esteja presente na circulação da mãe, antes que a mãe produza anticorpos. 

Caso a mãe já possua os anticorpos (o que pode ser verificado num exame de sangue), não receberá a vacina, porque ela só tem utilidade para evitar a fabricação de anticorpos - não destrói os que já existam. 

Como saber se a mãe tem sensibilização?


A pesquisa de anticorpos anti-Rh por meio do teste de Coombs indireto é o principal exame a ser realizado durante o pré-natal de mãe com Rh negativo cujo parceiro é Rh positivo, ou que tenha recebido uma transfusão de sangue inadequado. Esse exame deve ser repetido mensalmente para verificar a existência de anticorpos anti-Rh.

Logo nas primeiras consultas, o médico pedirá o exame de sangue para verificar a presença de anticorpos e, por volta da 28ª semana, novo exame é feito. Quando são detectados os anticorpos, a gestação passa a ser monitorada para detectar possíveis sinais de anemia no bebê. 

Cuidados após nascimento


Logo depois do nascimento, é realizado um exame de sangue no bebê para determinar o tipo sanguíneo e o fator Rh. A amostra de sangue é tirada do cordão umbilical. 

Se o bebê for Rh positivo, a mãe receberá outra injeção de imunoglobulina anti-D. Ela deve ser aplicada no máximo até 72 horas após o parto para que a resposta imunológica não seja acionada. 

O sangue da mãe também será testado logo depois do parto para detectar a presença de anticorpos. 

Caso sejam encontradas grandes quantidades, pode ser necessária uma dose maior de imunoglobulina anti-D. Se o bebê for Rh negativo como a mãe, a vacina não será necessária. 

No caso de eritroblastose fetal já instalada, ou seja, se não tiverem sido tomados os cuidados de prevenção durante a gestação, o tratamento no bebê inclui transfusões de sangue negativo, que não será destruído pelos anticorpos anti-Rh da mãe que passaram ao filho através da placenta. Como vivem cerca de três meses, as hemácias transferidas serão substituídas aos poucos pelas do bebê cujo fator Rh é positivo. Quando isso ocorrer por completo, não haverá mais anticorpos anti-Rh da mãe na circulação do filho.

Fique de olho


É importante saber qual o seu fator Rh e também o do parceiro, de preferência, antes de engravidar. Caso seu fator seja negativo e seu parceiro positivo, fale com o médico sobre o exame detectar a presença de anticorpos anti-Rh no sangue tão logo confirme a gravidez. Um bom pré-natal é importante para garantir que a gestação siga da melhor forma. Até a próxima!








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