quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Zika virus e microcefalia


De repente um mosquitinho muito conhecido nosso por transmitir a dengue se apresenta trazendo um novo vírus mas com consequências muito sérias. De nome engraçado, o Zika se mostra mais preocupante do que poderíamos imaginar, principalmente para as gestantes devido ao risco de microcefalia do feto e, para as pré-mães, a recomendação é esperar um pouco para engravidar. 



O que é o Zika?


O Zika é um vírus transmitido pelo Aedes aegypti e identificado pela primeira vez no Brasil em abril de 2015. O vírus Zika recebeu a mesma denominação do local de origem de sua identificação em 1947, após detecção em macacos sentinelas para monitoramento da febre amarela, na floresta Zika, em Uganda.

Quais os sintomas?


Cerca de 80% das pessoas infectadas pelo vírus Zika não desenvolvem manifestações clínicas. Os principais sintomas são dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. Outros sintomas menos frequentes são inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos. No geral, a evolução da doença é benigna e os sintomas desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias. No entanto, a dor nas articulações pode persistir por aproximadamente um mês. Formas graves e atípicas são raras, mas quando ocorrem podem, excepcionalmente, evoluir para óbito, como identificado no mês de novembro de 2015, pela primeira vez na história.

Como é transmitido?


O principal modo de transmissão descrito do vírus é pela picada do Aedes aegypti. Outras possíveis formas de transmissão do vírus Zika precisam ser avaliadas com mais profundidade, com base em estudos científicos. Não há evidências de transmissão do vírus Zika por meio do leito materno, assim como por urina, saliva e sêmen. Conforme estudos aplicados na Polinésia Francesa, não foi identificada a replicação do vírus em amostras do leite, assim como a doença não pode ser classificada como sexualmente transmissível. Também não há descrição de transmissão por saliva.

Qual o tratamento?



Não existe tratamento específico para a infecção pelo vírus Zika. Também não há vacina contra o vírus. O tratamento recomendado para os casos sintomáticos é baseado no uso de acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona para o controle da febre e manejo da dor. No caso de erupções pruriginosas, os anti-histamínicos podem ser considerados.

Não se recomenda o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e outros anti-inflamatórios, em função do risco aumentado de complicações hemorrágicas descritas nas infecções por outros flavivírus. Os casos suspeitos devem ser tratados como dengue, devido à sua maior frequência e gravidade conhecida.

Cuidados a seguir


Para se prevenir do contágio utilize telas em janelas e portas, use roupas compridas – calças e blusas – e, se vestir roupas que deixem áreas do corpo expostas, aplique repelente nessas áreas. Fique, preferencialmente, em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis. Cuidados especiais com recém-nascidos, crianças e idosos. Utilize repelentes especiais para crianças e idosos, no caso de recém-nascido mantenha-o em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis.

Caso observe o aparecimento de manchas vermelhas na pele, olhos avermelhados ou febre, busque um serviço de saúde para atendimento. Não tome qualquer medicamento por conta própria. Caso seja pré-mãe procure orientação sobre planejamento reprodutivo e os métodos contraceptivos nas Unidades Básicas de Saúde.

Gestantes: Inicie o pré-natal assim que descobrir a gravidez e compareça às consultas regularmente. Vá às consultas às consultas uma vez por mês até a 28ª semana de gravidez; a cada quinze dias entre a 28ª e a 36ª semana; e semanalmente do início da 36ª semana até o nascimento do bebê. Tome todas as vacinas indicadas para gestantes. Em caso de febre ou dor, procure um serviço de saúde. Não tome qualquer medicamento por conta própria.

O que é microcefalia?

Microcefalia é uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, ou seja, igual ou inferior a 32 cm. Essa malformação congênita pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como substâncias químicas e agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação.

O Ministério da Saúde confirmou a relação entre o vírus Zika e a microcefalia. As investigações sobre o tema, entretanto, continuam em andamento para esclarecer questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez.

Existe tratamento para microcefalia?


Não há tratamento específico para a microcefalia. Existem ações de suporte que podem auxiliar no desenvolvimento do bebê e da criança, e este acompanhamento é preconizado pelo Sistema Único da Saúde (SUS). 

É importante que o bebê com microcefalia seja estimulado desde cedo para que seu desenvolvimento seja maximizado. Normalmente esse estímulo é feito desde o nascimento até os 3 anos de idade, momento em que o cérebro se desenvolve mais rapidamente. A estimulação precoce visa à maximização do potencial de cada criança, englobando o crescimento físico e a maturação neurológica, comportamental, cognitiva, social e afetiva, que poderão ser prejudicados pela microcefalia.

Informações pela internet


Infelizmente a internet algumas vezes é utilizada de forma a difundir mais rapidamente boatos que são um risco para a saúde. Dessa forma, é importante pesquisar as informações que aparecem pela internet, mesmo que sejam links de sites que aparentemente são idôneos. Dentre os boatos estão:

A microcefalia foi causada por vacina vencida: primeiro, a vacina cujo o boato diz é a Rubéola, que não está presente nas vacinas que as gestantes devem tomar. Segundo é que a vacina contém a forma atenuada do vírus, ou seja, apenas uma parte para que o corpo consiga identificar a doença e se proteger (é assim que as vacinas funcionam). Terceiro: o surto não é apenas no nordeste e não é apenas no Brasil! Embora tenha sido feito a relação a partir dos casos ocorridos no nordeste do Brasil, já havia relatos de microcefalia na Polinésia Francesa, contudo, ainda não haviam feito a relação com o surto do vírus Zika. Quarto: a Rubéola é que pode causar microcefalia, e não apenas isso,  mas pode ocorrer outras deficiências como a cegueira! Por último: segundo a OPAS (Organização Pan-americana de Saúde) não há registro de casos de Rubéola no continente americano desde 2009 e para que haja a má formação do feto, a mãe deve passar o vírus para o bebê, se não há registro desde 2009, não há como uma mãe passar para o bebê em 2015!

Zika pode causar microcefalia até os 7 anos de idade: esse foi um boato que foi difícil de ler, pois não consigo imaginar como alguém não pensa um pouco a respeito. O cérebro começa a ser formar a partir da 3 semana de gestação e tem sua formação completa com 28 semanas. O que muita gente confunde a formação com o desenvolvimento. Passando da 28ª semana, o cérebro irá crescer e se desenvolver. A microcefalia é diagnosticada pelo perímetro da cabeça do bebê, então não sei como pode um bebê, que ao nascer, mede 34 cm de circunferência da cabeça possa diminuir esse tamanho por "pegar" o Zika vírus com 1 ano ou mais! 

O que ainda não foi confirmado é a ligação do vírus Zika com a síndrome de Guillain-Barré. Essa é uma doença autoimune (o sistema de defesa do corpo ataca o próprio corpo) que pode causar fraqueza muscular, paralisia que começa nos olhos e atingem outras partes do corpo, Neuropatia Motora Axonal Aguda e Neuropatia Motor-sensorial Axonal Aguda. Contudo, o que temos que salientar é que a síndrome pode ser desencadeada por qualquer doença infecciosa mas que não há uma faixa etária para isso!

Devemos tomar cuidado sim com o Zika vírus, mas não apenas com ele, como também com qualquer doença que possa afetar um bom desenvolvimento gestacional. Reforce os cuidados em casa para afastar o mosquito, passe repelente, use sempre que possível roupas com mangas compridas (o repelente pode ser passado em cima da roupa também!) e usar mosquiteiros ou outras barreiras para os mosquitos. Cuide-se e se puder esperar um pouco para engravidar caso esteja em área de risco, espere. E caso veja uma notícia a respeito de doenças ou qualquer outra coisa pela internet busque várias fontes para tentar saber a respeito. Se perceber que o texto é igual ao de outra fonte, talvez seja apenas um boato. Sites como e-Farsas e Boatos.org também são úteis para descobrir se a notícia é verdadeira ou não. Boa sorte e até a próxima.


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